5 de setembro de 2017

Rosa líder

Rosa nasceu na aldeia Jucás, veio ao mundo na etnia Potyguara, sempre foi índigena. Contudo, foi há dezessete anos que atendeu ao chamado de seu povo para se tornar uma líder e defender seus parentes. Ela deixou o trabalho de diretora escolar em Monsenhor Tabosa, tornou-se uma militante voluntária no movimento indígena e tomou um lugar na batalha que eles e elas enfrentam durante a vida inteira para serem reconhecidos/as e respeitados/as.

No início, quando sua aldeia realizava rituais na rua e a polícia chegava para reprimir, Rosa enfrentava os oficiais para defender suas tradições e a liberdade de culto. Da primeira vez em que saiu do seu território e viajou até outra cidade para uma Assembleia de Povos Indígenas, ela viu seus parentes reunidos debaixo de um cajueiro se juntou a eles/as para falar das dificuldades em que viviam. “Lá eu pude me fortalecer e ver que a nossa luta era mais forte do que qualquer outra forma de viver”, explica ela.

Desde então, o caminho foi árduo e nas vezes em que as tribos precisaram unir-se, Rosa esteve presente: nas Assembleias dos Povos Indígenas, no Acampamento Terra Livre em Brasília, em ocupações e protestos. Nesta linha de frente, encontrou outras mulheres, suas companheiras de luta até hoje. “Teca Potyguara, Luiza Canuto, Rosa Pytaguari e tantas outras. Nós mulheres formamos uma força muito grande e somos maioria à frente no movimento indígena”, diz ela.

Houve avanços e conquistas de lá para cá, ela argumenta. “Não havia atendimento de Saúde e hoje tem equipe do Programa Saúde da Família atendendo dentro da minha comunidade. Fazemos o trabalho contra a violência contra a mulher, temos uma escola diferenciada que respeita o nosso jeito de ser e estão construindo um posto de saúde”, enumera Rosa.

Em disputa de terra, a principal causa de massacres de etnias no Brasil, a militante Potyguara já atuou como mediadora de paz. Quando o povo Tabajara da Aldeia Cajueiro enfrentou os invasores na cidade de Poranga e tentou retomar o território dos seus ancestrais, iniciou-se um conflito que poderia encerrar em tragédia. “Havia uma luta muito intensa de posseiros, polícia e indígenas e eu fui chamada para apaziguar. Às vezes as pessoas agem por emoção, sem pensar. Nós mulheres temos que ter esse pensamento de militante que tem uma grande responsabilidade”, diz ela.

Do ano de 2017, duas recordações a marcaram: na chegada à capital federal para o Acampamento Terra Livre, uma manifestação feita por mais três mil pessoas pela demarcação de terras indígenas, viu seu povo ser atacado pela polícia com gás lacrimogêneo. Em Fortaleza, durante a ocupação feita na FUNAI para protestar contra o corte de recursos e as indicações políticas, Rosa percebeu a tentativa de iniciar um conflito interno e enfraquecer a mobilização. “Queremos que venham trabalhar de igual para igual, sabendo respeitar nossos direitos e nossas diferenças, não queremos pessoas indicadas por políticos que sejam um domador dentro da FUNAI”, argumenta ela.

Sob a orientação de seu guia espiritual, o Cacique Cobra-Coral, entidade representada no seu cocar, Rosa Potyguara segue sua missão de proteger a sua tribo e todos os povos originários. “A gente não nasce sendo liderança, ao longo de uma caminhada a gente se torna uma. Nunca me imaginei como líder, iniciei porque sabia que meu povo precisava mais de mim. Tive essa preocupação com o todo e líder é quem pensa no coletivo”.

 

Por Comunicação  Esplar, Centro de Pesquisa e Assessoria.

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